Restaurador do 'art déco' de Miami cria meca da moda e do design

No meio de um coquetel, Craig Robins sobe na mesa. Seus convidados se calam, taças de champanhe tinindo na luz baixa de seu escritório em Miami. De terno creme, ele dá as boas-vindas a amigos do bairro e começa a mostrar imagens do que será sua mais nova aventura comercial na cidade onde nasceu --o projeto de transformar quadras do centro um tanto letárgicas em uma meca da moda e do design.

Craig, 49, tem uma semelhança estranha com o ator John Malkovich: magro, careca de cabeça raspada e olhar magnético. E também não são poucos os que gostariam de ser Craig Robins. Ele é o empresário responsável pelo que chamam de "renascimento do estilo" no balneário americano, o homem que transformou o antes combalido trecho de South Beach em brilhantes joias arquitetônicas art déco.

Depois de estudar em Barcelona nos anos 1980, Craig tentou aplicar a lógica de transformação que observou na cidade espanhola à terra natal. Formado em belas artes e direito, ele pôs mãos à obra para restaurar as construções tradicionais de Miami Beach e revender para hotéis de luxo. "Gosto de construir bairros", contou à Serafina. "Nunca penso num projeto como sendo só um prédio, sempre penso no bairro inteiro, no que vai fazer aquilo valer mais."

Terminado o projeto em South Beach, cruzou a ponte para a Miami continental e comprou 13 das 18 quadras do bairro ao norte do centro da cidade. Um lugar antes ocupado por fabricantes de móveis, a área virou um deserto imobiliário depois que as marcas migraram para shoppings. Ele decidiu trazer todas de volta, dando descontos generosos nos aluguéis, e lançou ali há sete anos uma feira dedicada ao design, prima da gigante Art Basel Miami Beach. Seu mais novo projeto é uma parceria com um grupo imobiliário que tem entre os sócios a LVMH, holding das marcas Louis Vuitton, Givenchy, Marc Jacobs e Fendi, entre outras.

"Pensei que, se houvesse arte, comida e design no mesmo lugar, a moda poderia tornar isso mais interessante ainda", diz Craig. "O mercado local estava faminto por novas locações, e Miami é também a porta de entrada para a América do Sul e o Caribe. Fizemos um projeto que preserva o caráter histórico do bairro e ao mesmo tempo deixa espaço para uma expansão."

No rastro de marcas como Maison Margiela, Marni e Christian Louboutin, já estão migrando para o bairro Prada, Louis Vuitton, Céline, Cartier e Dior Homme. O empresário também trouxe guindastes imensos para plantar pés de mirtilo já adultos ao longo das vias comerciais e no topo dos prédios, estabelecendo a flora para a fauna de endinheirados que quer atrair.

"Miami é o futuro", exalta. "É uma cidade jovem, que está se desenvolvendo e crescendo com rapidez. Ainda é um lugar divertido, mas também serve para fazer coisas sérias."